Mesmo fora do período eleitoral, é importante buscar estratégias para o bom desempenho da campanha e para o relacionamento com o eleitor e com a comunidade de uma forma geral. Para isso, é importante conhecer o perfil dos eleitores no Brasil.
A pesquisa eleitoral tem evoluído muito nas últimas décadas, apontando mais fielmente aspectos nem sempre vistos por pesquisas mais direcionadas ou superficiais, como a de boca de urna. É possível destacar com maior precisão os anseios e intenções de voto de determinado grupo de eleitores com uma margem muito pequena de erros.
O próprio TSE – Tribunal Superior Eleitoral, em suas últimas pesquisas, divulgadas em julho de 2014, apresentou alguns dados muito importantes sobre o perfil dos eleitores no brasil. Confira:
- O número de eleitores aumentou 5% em quatro anos. Hoje, são 142.822.046 brasileiros aptos a votar nas próximas eleições.
- A maioria dos eleitores continua sendo de mulheres.
- Houve mudanças na faixa etária do eleitor. Hoje, ele está mais velho e a proporção de eleitores com 16 e 17 anos é a menor em 20 anos – um dado que se destaca, pois pode indicar a falta de interesse dos eleitores mais jovens.
- O número de jovens para os quais o voto é facultativo (de 16 a 18 anos) caiu 31,47% em relação as eleições em 2010. São 752 mil a menos.
- Contudo, o número de eleitores com mais de 45 anos aumentou nos últimos quatro anos.
- A região com maior número de eleitores é o Sudeste, que concentra quatro de cada dez eleitores (43,44%), seguida pelo Nordeste (26,80%), Sul (14,79%), Norte (7,57%) e Centro-Oeste (7,17%).
- Em destaque, o estado de Minas Gerais, em que a diferença entre o total de mulheres eleitoras em relação aos homens é de quase 500 mil a mais.
- O estado de São Paulo se mantém como o maior colégio eleitoral, com 31.998.432 eleitores, e Roraima é o menor, com 299.558 eleitores.
- A minoria tem ensino superior e a maioria dos aptos a votar tem entre 45 e 59 anos.
- Sobre os candidatos, a pesquisa apontou as seguintes características: são majoritariamente homens (70,3% do total em todos os cargos) e com curso superior completo (45,8%) e se concentram na faixa de 45 a 49 anos.
- Outro dado muito importante refere-se às 9,5 milhões de pessoas que saíram da indigência e às 18,4 milhões que saíram da pobreza entre 2004 e 2008 (dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea). Tudo indica que estes eleitores estão se tornando mais maduros quanto às suas intenções de voto e valores relacionados às escolhas políticas. Se antes, os cuidados básicos (como alimentação e saúde) impactavam nas escolhas políticas, hoje a sua preocupação é a ascensão social e manutenção do patrimônio.
- Questões como segurança pública e invasões de terra estão também entre as suas preocupações.
Como é possível constatar com estes dados, o eleitor brasileiro está mais maduro e a política tem impactado pouco as novas gerações. As eleitoras mulheres lideram como um todo, sendo que os seus anseios referem-se mais às condições de qualidade de vida, disponibilidade de serviços públicos, oportunidades e direitos mais igualitários. Há ainda um novo grupo de eleitores ativos, que antes eram muito pobres e hoje estão em melhores condições – e que continuam buscando segurança e oportunidades para o seu estabelecimento social – isso fez com que os seus valores e decisões tornassem mais maduros.